domingo, 29 de abril de 2012




poema sobre o amor eterno

inventaram um amor eterno. trouxeram-no em braços para o meio das pessoas e ali ficou, à espera que lhe falassem. mas ninguém entendeu a necessidade de sedução. pouco a pouco, as pessoas voltaram a casa convictas de que seria falso alarme, e o amor eterno tombou no chão. não estava desesperado, nada do que é eterno tem pressa, estava só surpreso. um dia, do outro lado da vida, trouxeram um animal de duzentos metros e mil bocas e, por ocupar muito espaço, o amor eterno deslizou para fora da praça. ficou muito discreto, algo sujo. foi como um louco o viu e acreditou nas suas intenções. carregou-o para dentro do seu coração, fugindo no exacto momento em que o animal de duzentos metros e mil bocas se preparava para o devorar 

valter hugo mãe

quarta-feira, 4 de abril de 2012




Sempre

Ao contrário de ti 
não tenho ciúmes. 

Vem com um homem 
às costas, 
vem com cem homens nos teus cabelos, 
vem com mil homens entre os seios e os pés, 
vem como um rio 
cheio de afogados 
que encontra o mar furioso, 
a espuma eterna, o tempo. 

Trá-los todos 
até onde te espero: 
estaremos sempre sozinhos, 
estaremos sempre tu e eu 
sozinhos na terra 
para começar a vida. 

Pablo Neruda

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012


Mi imaginación fue a tu encuentro.

Y subí y subí por la escalera del cielo
buscándote,
resistí tormentas de arena,
de agua helada
y de fuego de sol;
pero no me rendí
buscándote....


La fuerza de mi esperanza
por encontrarte
era inmensa, no se agotaba
y yo subía y subía,
sujeto a mi escalera
con la fe puesta
en encontrarte.


Mi esperanza renacía a cada instante,
nuevas fuerzas me alimentaban,
nueva fe me invadía
por la dicha de encontrarte;
aunque a veces algo me decía
ese encuentro, está distante.


Pero nada me arredraba
y mis brazos se extendían,
hasta el siguiente eslabón
de aquella infinita escalada.


Cada instante estaba lejos
pero mi inquietud se solazaba,
sentía que se aproximaba
el momento de nuestro encuentro;


y se hizo la luz en mi mente,
se abrió la puerta a mi esperanza,
y entre peldaño y peldaño, encontré
la poesía que buscaba. 


Puse sonrisa a mi esfuerzo
y letras a mis palabras,
a mi escalada le llamé fe,
a tu encuentro, le llame gracia..


y a ti, aún no se, como debo llamarte.....


Jecego.

sábado, 21 de janeiro de 2012




O Amor não Tem nada que Ver 
com a Idade

Penso saber que o amor não tem nada que ver com a idade, como acontece com qualquer outro sentimento. Quando se fala de uma época a que se chamaria de descoberta do amor, eu penso que essa é uma maneira redutora de ver as relações entre as pessoas vivas. O que acontece é que há toda uma história nem sempre feliz do amor que faz que seja entendido que o amor numa certa idade seja natural, e que noutra idade extrema poderia ser ridículo. Isso é uma ideia que ofende a disponibilidade de entrega de uma pessoa a outra, que é em que consiste o amor. 

Eu não digo isto por ter a minha idade e a relação de amor que vivo. Aprendi que o sentimento do amor não é mais nem menos forte conforme as idades, o amor é uma possibilidade de uma vida inteira, e se acontece, há que recebê-lo. Normalmente, quem tem ideias que não vão neste sentido, e que tendem a menosprezar o amor como factor de realização total e pessoal, são aqueles que não tiveram o privilégio de vivê-lo, aqueles a quem não aconteceu esse mistério. 

José Saramago

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012



Soneto LXXIX

De noche, amada, amarra tu corazón al mío
y que ellos en el sueño derroten las tinieblas
como un doble tambor combatiendo en el bosque
contra el espeso muro de las hojas mojadas.

Nocturna travesía, brasa negra del sueño
interceptando el hilo de las uvas terrestres
con la puntualidad de un tren descabellado
que sombra y piedras frías sin cesar arrastrara.

Por eso, amor, amárrame el movimiento puro,
a la tenacidad que en tu pecho golpea
con las alas de un cisne sumergido,

para que a las preguntas estrelladas del cielo
responda nuestro sueño con una sola llave,
con una sola puerta cerrada por la sombra.

Pablo Neruda


quarta-feira, 11 de janeiro de 2012




Soneto

Amar-te – não por gozo da vaidade,
Não movido de orgulho ou de ambição,
Não à procura da felicidade,
Não por divertimento à solidão.

Amar-te – não por tua mocidade
- Risos, cores e luzes de verão -
E menos por fugir à ociosidade,
Como exercício para o coração.

Amar-te por amar-te: sem agora:
Sem amanhã, sem ontem, sem mesquinha
Esperança de amor, sem causa ou rumo.

Trazer-te incorporada vida fora,
Carne de minha carne, filha minha,
Viver do fogo em que ardo e me consumo.

Aurélio Buarque de Holanda

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011




Fotografia


Você não sabe mas eu tenho uma foto sua
Que eu fico olhando o tempo inteiro
Querendo você pra mim
Ás vezes me pego perdida
Andando pelas ruas, e a sua imagem
Continua onde eu vou, é sempre assim



Fico olhando nos seu olhos
Sem ao menos te tocar
Entrar nessa fotografia é
Tudo que eu queria
Pra poder te amar


Sentir o sabor do seu beijo
É tudo que eu preciso e nada mais
Se eu pudesse transformar em vida
Um segundo apenas meu desejo
Você saberia a falta que me faz.


Ás vezes fico tão ligada na fotografia
Que parece até, que o seu olhar está querendo me dizer
Que um dia pode ser real a minha fantasia
Que ao seu lado na fotografia, eu iria aparecer
Fico olhando os teus traços
Nunca vi tamanha perfeição
Eu daria minha vida pra ficar
Um dia no seu coração


Sentir o sabor do seu beijo
É tudo que eu preciso
E nada mais.
Se eu pudesse Transformar em vida
Um segundo apenas meu desejo
Você saberia a falta que me faz.


...............................................................................
Música: Paula Fernandes

sábado, 10 de dezembro de 2011




Ternura

Eu te peço perdão por te amar de repente 
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos 
Das horas que passei à sombra dos teus gestos 
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos 
Das noites que vivi acalentado 
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo 
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente 

E posso te dizer que o grande afeto que te deixo 
Não trai o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas 
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma... 
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias 
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta 
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o 
[olhar extático da aurora. 

Vinicius de Moraes

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011




O Amor, Meu Amor

Nosso amor é impuro 
como impura é a luz e a água 
e tudo quanto nasce 
e vive além do tempo. 

Minhas pernas são água, 
as tuas são luz 
e dão a volta ao universo 
quando se enlaçam 
até se tornarem deserto e escuro. 
E eu sofro de te abraçar 
depois de te abraçar para não sofrer. 

E toco-te 
para deixares de ter corpo 
e o meu corpo nasce 
quando se extingue no teu. 

E respiro em ti 
para me sufocar 
e espreito em tua claridade 
para me cegar, 
meu Sol vertido em Lua, 
minha noite alvorecida. 

Tu me bebes 
e eu me converto na tua sede. 
Meus lábios mordem, 
meus dentes beijam, 
minha pele te veste 
e ficas ainda mais despida. 

Pudesse eu ser tu 
E em tua saudade ser a minha própria espera. 

Mas eu deito-me em teu leito 
Quando apenas queria dormir em ti. 

E sonho-te 
Quando ansiava ser um sonho teu. 

E levito, voo de semente, 
para em mim mesmo te plantar 
menos que flor: simples perfume, 
lembrança de pétala sem chão onde tombar. 

Teus olhos inundando os meus 
e a minha vida, já sem leito, 
vai galgando margens 
até tudo ser mar. 
Esse mar que só há depois do mar. 

Mia Couto

sábado, 3 de dezembro de 2011




Soneto II

Amor, cuántos caminos hasta llegar a un beso,
qué soledad errante hasta tu compañía!
Siguen los trenes solos rodando con la lluvia.
En Taltal no amanece aún la primavera.

Pero tú y yo, amor mío, estamos juntos,
juntos desde la ropa a las raíces,
juntos de otoño, de agua, de caderas,
hasta ser sólo tú, sólo yo juntos.

Pensar que costó tantas piedras que lleva el río,
la desembocadura del agua de Boroa,
pensar que separados por trenes y naciones

tú y yo teníamos que simplemente amarnos,
con todos confundidos, con hombres y mujeres,
con la tierra que implanta y educa los claveles.

Pablo Neruda

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011


Para o Meu Coração...

Para o meu coração basta o teu peito, 
para a tua liberdade as minhas asas. 
Da minha boca chegará até ao céu 
o que dormia sobre a tua alma. 

És em ti a ilusão de cada dia. 
Como o orvalho tu chegas às corolas. 
Minas o horizonte com a tua ausência. 
Eternamente em fuga como a onda. 

Eu disse que no vento ias cantando 
como os pinheiros e como os mastros. 
Como eles tu és alta e taciturna. 
E ficas logo triste, como uma viagem. 

Acolhedora como um velho caminho. 
Povoam-te ecos e vozes nostálgicas. 
Eu acordei e às vezes emigram e fogem 
pássaros que dormiam na tua alma. 

Pablo Neruda

A Rainha

Nomeei-te rainha. 
Há maiores do que tu, maiores. 
Há mais puras do que tu, mais puras. 
Há mais belas do que tu, há mais belas. 

Mas tu és a rainha. 

Quando andas pelas ruas 
ninguém te reconhece. 
Ninguém vê a tua coroa de cristal, ninguém olha 
a passadeira de ouro vermelho 
que pisas quando passas, 
a passadeira que não existe. 

E quando surges 
todos os rios se ouvem 
no meu corpo, 
sinos fazem estremecer o céu, 
enche-se o mundo com um hino. 

Só tu e eu, 
só tu e eu, meu amor, 
o ouvimos. 

Pablo Neruda

quinta-feira, 24 de novembro de 2011


Você Realmente Já Amou Uma Mulher?


Para realmente amar uma mulher, para compreendê-la
Você precisa conhecê-la profundamente por dentro
Ouvir cada pensamento, ver cada sonho
E dar-lhe asas quando ela quiser voar
Então, quando você se achar repousando
Desamparado nos braços dela
Você saberá que realmente ama uma mulher...




Quando você ama uma mulher
Você lhe diz que ela, realmente, é desejada
Quando você ama uma mulher
Você lhe diz que ela é a única
Pois ela precisa de alguém
Para dizer-lhe que vai durar para sempre.
Então diga-me: você realmente, realmente
Realmente já amou uma mulher?


Para realmente amar uma mulher, deixe-a segurar você
Até que você saiba como ela precisa ser tocada
Você precisa respirá-la, realmente saboreá-la
Até que você possa senti-la em seu sangue
E quando você puder ver, 
seus filhos que ainda não nasceram dentro dos olhos dela
Você saberá que realmente ama uma mulher




Quando você ama uma mulher
Você diz a ela o quanto ela é desejada
Quando você ama uma mulher
Você diz a ela, que ela é a única
Porque ela precisa de alguém
Para dizer a ela, que você irá estar sempre junto
Então me diga, você realmente
Realmente, realmente já amou uma mulher?


Você precisa dar-lhe um pouco de confiança
Segurá-la bem apertado, um pouco de ternura
Precisa tratá-la bem
Ela estará perto de você, cuidando bem de você
Você realmente precisa amar uma mulher. 
E quando você se achar repousando, 
desamparado nos braços dela
Você saberá que realmente ama uma mulher.



Tradução da música : 
Have You Ever Really Loved A Woman?

"Fields Of Gold"


You'll remember me when the west wind moves
Upon the fields of barley
You'll forget the sun in his jealous sky
As we walk in the fields of gold


So she took her love
For to gaze awhile
Upon the fields of barley
In his arms she fell as her hair came down
Among the fields of gold


Will you stay with me, will you be my love
Among the fields of barley
We'll forget the sun in his jealous sky
As we lie in the fields of gold


See the west wind move like a lover so
Upon the fields of barley
Feel her body rise when you kiss her mouth
Among the fields of gold
I never made promises lightly
And there have been some that I've broken
But I swear in the days still left
We'll walk in the fields of gold
We'll walk in the fields of gold


Many years have passed since those summer days
Among the fields of barley
See the children run as the sun goes down
Among the fields of gold
You'll remember me when the west wind moves
Upon the fields of barley
You can tell the sun in his jealous sky
When we walked in the fields of gold
When we walked in the fields of gold
When we walked in the fields of gold




"Campos de Ouro"


Você vai lembrar de mim quando o vento se move a oeste 
Após os campos de cevada 
Você vai esquecer do sol em seu céu ciumento 
Quando caminhamos nos campos de ouro
Então ela levou seu amor
Para contemplar por algum tempo
Quando os campos de cevada
Em seus braços ela caiu como seus cabelos desceu
Entre os campos de ouro
Você vai ficar comigo, você será meu amor
Entre os campos de cevada
Vamos esquecer o sol em seu céu ciumento
Quando nós nos encontramos nos campos de ouro
Veja o vento do oeste se mover como um amante
Nos campos de cevada
Sinta seu corpo subir quando você beija sua boca
Entre os campos de ouro
Eu nunca fiz promessas levianamente
E houve alguns que Eu quebrei
Mas eu juro que nos dias ainda restam
Andaremos em campos de ouro
Andaremos em campos de ouro
Muitos anos se passaram desde aqueles dias de verão
Entre os campos de cevada
Ver as crianças correm como o sol desce
Entre os campos de ouro
Você se lembrará de mim quando o vento do oeste se move
Sobre os campos de cevada
Você pode dizer ao sol em seu céu ciumento
Quando caminhamos nos campos de ouro
Quando caminhamos nos campos de ouro
Quando caminhamos nos campos de ouro

domingo, 20 de novembro de 2011


"A beleza ideal está na simplicidade calma e serena."

Johann Wolfgang von Goethe

sábado, 19 de novembro de 2011


Só existe dois dias no ano que nada pode ser feito. 
Um se chama ontem e o outro se chama amanhã, 
portanto hoje é o dia certo para amar, acreditar, 
fazer e principalmente viver.

Dalai Lama

sexta-feira, 11 de novembro de 2011





La reina

Yo te he nombrado reina.
Hay más altas que tú, más altas.
Hay más puras que tú, más puras.
Hay más bellas que tú, hay más bellas.
Pero tú eres la reina.

Cuando vas por las calles
nadie te reconoce.
Nadie ve tu corona de cristal, nadie mira 
la alfombra de oro rojo
que pisas donde pasas 
la alfombra que no existe.

Y cuando asomas
suenan todos los ríos
en mi cuerpo, sacuden
el cielo las campanas,
y un himno llena el mundo.

Sólo tú y yo,
sólo tú y yo, amor mío,
lo escuchamos.

Pablo Neruda




Soneto LXXXIV

Una vez más, amor, la red del día extingue
trabajos, ruedas, fuegos, estertores, adioses,
y a la noche entregamos el trigo vacilante
que el mediodía obtuvo de la luz y la tierra.

Sólo la luna en medio de su página pura
sostiene las columnas del estuario del cielo,
la habitación adopta la lentitud del oro
y van y van tus manos preparando la noche.

Oh amor, oh noche, oh cúpula cerrada por un río
de impenetrables aguas en la sombra del cielo
que destaca y sumerge sus uvas tempestuosas,

hasta que sólo somos un solo espacio oscuro,
una copa en que cae la ceniza celeste,
una gota en el pulso de un lento y largo río.

Pablo Neruda

quinta-feira, 10 de novembro de 2011




Entre o Luar e a Folhagem

Entre o luar e a folhagem, 
Entre o sossego e o arvoredo, 
Entre o ser noite e haver aragem 
Passa um segredo. 
Segue-o minha alma na passagem. 

Tênue lembrança ou saudade, 
Princípio ou fim do que não foi, 
Não tem lugar, não tem verdade. 
Atrai e dói. 

Segue-o meu ser em liberdade. 

Vazio encanto ébrio de si, 
Tristeza ou alegria o traz? 
O que sou dele a quem sorri? 
Nada é nem faz. 
Só de segui-lo me perdi. 

Fernando Pessoa

segunda-feira, 7 de novembro de 2011




Poemeto Erótico

Teu corpo claro e perfeito,
- Teu corpo de maravilha,
Quero possuí-lo no leito
Estreito da redondilha...
Teu corpo é tudo o que cheira...
Rosa...flor de laranjeira...
Teu corpo, branco e macio,
É como um véu de noivado...
Teu corpo é pomo doirado...
Rosal queimado do estio,
Desfalecido em perfume...
Teu corpo é a brasa do lume...
Teu corpo é chama e flameja
Como à tarde os horizontes
É puro como nas fontes
A água clara que serpeja,
Que em cantigas se derrama...
Volúpia de água e da chama...
A todo momento o vejo...
Teu corpo... a única ilha
No oceano do meu desejo...
Teu corpo é tudo o que brilha,
Teu corpo é tudo o que cheira...
Rosa, flor de laranjeira...

Manuel Bandeira